Maria Tereza Maldonado
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Beleza amadurece


As mulheres entre 50 e 60 anos nasceram em uma época de mudanças expressivas: a reorganização do pós-guerra, a entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho, os movimentos feministas, o surgimento da pílula anticoncepcional, o aumento de divórcios e de novas uniões, a expansão da expectativa de vida. É uma geração revolucionária, que quebrou muitos paradigmas e, agora, quer reformular o conceito de envelhecimento. A aposentadoria está longe de ser um "fim de linha", a saída dos filhos de casa não conduz automaticamente à "síndrome do ninho vazio": são novas oportunidades de realizar antigos sonhos que não puderam ser concretizados ou convites para descobrir novos rumos. A maturidade é a segunda idade adulta: apresenta oportunidades de realizar antigos sonhos e descobrir novos rumos.

Embora permaneça o desejo de um grande amor, casamento e maternidade não são mais o único destino desejável. Essa geração de mulheres quebrou o estereótipo da "rainha do lar", enfrentou a culpa por não cuidar dos filhos e do marido em tempo integral, sobrecarregou-se com a "dupla jornada". Independentes, recusaram-se a permanecer em casamentos insatisfatórios, enfrentaram os preconceitos que discriminavam "as desquitadas", renovaram as esperanças e se abriram para novos amores, integraram os filhos de uniões anteriores, construíram outras maneiras de viver como casal e como família; por outro lado, perceberam que é possível a mulher realizar-se plenamente mesmo sem se casar e ter filhos. Com isso, construíram outras maneiras de viver plenamente, fora dos padrões tradicionais.

Essas mulheres querem derrubar os preconceitos contra o envelhecimento e combater a cultura do descartável, que joga fora tudo o que é antigo, desde telefones celulares a relacionamentos. É uma geração que está acostumada a se reinventar, que não se acomoda ao que está estabelecido, que está disposta a correr riscos para efetuar as mudanças necessárias a uma vida plena. São mulheres que se mostram cheias de vitalidade, energia, sensualidade, capazes de amar e de serem amadas, que querem cuidar de sua saúde física, mental e espiritual, que se sentem pessoas atraentes e capazes de continuar contribuindo positivamente para a sociedade.

As enormes mudanças enfrentadas por essas mulheres não têm sido fáceis: se, por um lado, sentem-se competentes por terem conquistado uma nova posição na sociedade, por outro lado convivem com os preconceitos sociais dentro de si mesmas. Assim foi com o sentimento de culpa por "trabalhar fora e deixar os filhos com outras pessoas"; ou com o medo de se transformar em "mulher fácil" por ter tido vários parceiros; e, agora, "sentir-se jovem demais para ser velha". Essa frase reflete o dilema de perceber que "jovem" tem uma conotação socialmente positiva, enquanto que "velho" não tem. No entanto, muitas mulheres dessa geração apreciam sua maneira de viver. O conceito de velhice precisa ser modificado. Mas é preciso mais de uma geração para mudar os preconceitos...

Tive a alegria de atuar como consultora, analisando os resultados de uma pesquisa feita com 1.450 mulheres entre 50 e 64 anos em nove países, que serviu de base para o projeto "Beleza Amadurece", de uma empresa que procura ampliar o conceito de beleza com o objetivo de quebrar os estereótipos que aprisionam as mulheres em todas as faixas etárias. Quase a totalidade das mulheres entrevistadas acredita que existem falsos conceitos sobre mulheres com mais de 50, principalmente relacionados à sexualidade, produtividade e aparência. Na mudança necessária da visão sobre o envelhecimento o mais importante não é procurar ser jovem para sempre: é preservar a vitalidade, a alegria de viver, a qualidade de vida na "segunda idade adulta".

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Maria Tereza Maldonado
Fotógrafo: Edu Lissovsky | Desenvolvedor: forpix internet