Maria Tereza Maldonado
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Experiências marcantes


Mônica queria fazer uma grande festa de aniversário, mas ficava muito ansiosa pensando no que poderia acontecer de errado: "E se faltar muita gente? E se a festa não for animada? E se a comida não for suficiente? E se eu não conseguir dar atenção a todos os convidados?" O medo a invadia, deixando-a paralisada. Durante alguns anos, limitou-se a convidar os mais íntimos para sua casa.

Mas, quando estava para completar 21 anos, resolveu encarar o medo. Ousou organizar uma grande festa, pediu ajuda aos pais e a alguns amigos, convidou até mesmo alguns com os quais havia perdido o contato. Na semana da festa, sentiu dor de estômago, teve pesadelos, mal conseguia comer. Chegou a se arrepender de ter desafiado o medo, mas já era tarde para voltar atrás. No dia da festa, estava muito tensa: quando chegaram os primeiros convidados, andava de um lado para outro, não conseguia comer nem beber coisa alguma, mas se descontraiu pouco a pouco, deixando-se invadir pela alegria da dança. Ao contrário do que o medo lhe dizia, a festa foi maravilhosa.

Somos nossos próprios carcereiros. Para manter a ilusão de proteção contra sofrimentos e desilusões, evitamos encarar as situações temidas: subimos dez andares de escada com medo de passar mal no elevador, procuramos nos convencer de que é melhor manter o emprego insatisfatório e mal remunerado porque não vamos conseguir outro, fechamos o coração para um novo amor.

Quando obedecemos às ordens do medo, perdemos terreno. O medo torna-se mais poderoso quando nos encolhemos. As experiências marcantes acontecem quando ousamos desafiar o medo e arriscar novas possibilidades, como aconteceu com Mônica. E então, permitindo que a realidade desminta as terríveis profecias do medo, conquistamos novos territórios. Agora Mônica poderá se sentir mais confiante não só para organizar grandes festas, mas para desmentir outras ameaças do medo. Essas experiências podem atuar como verdadeiros ícones dentro de nós, como lembretes oportunos de que podemos substituir o recuo do "não posso, não consigo" pela determinação de vencer as inibições que tanto nos travam.

Outro tipo de experiência marcante é a decisão de investir esforços para derrubar a descrença em nossa própria capacidade. No meio do ano letivo, o rendimento escolar de Bernardo estava muito abaixo da média. Ele pensava que estava estudando o suficiente e não queria ficar reprovado. Chegou a duvidar seriamente de sua competência, achando que, mesmo fazendo um grande esforço não conseguiria as notas mínimas. No trabalho terapêutico, vimos o valor de desafiar a descrença em si mesmo e a necessidade de construir um planejamento adequado para alcançar a meta de ser aprovado.

Bernardo conseguiu se motivar, elaborou um plano de estudos eficiente e, no final do ano, conseguiu passar sem precisar das provas finais, o que lhe parecia totalmente impossível. Desta forma, por meio dessa experiência marcante, ele conseguiu desmentir a crença do "não sou capaz, não vou conseguir", descobrindo que, fazendo um planejamento adequado e investindo esforços para alcançar a meta, pode provar para si mesmo que é muito mais competente do que imagina. Em situações futuras (vestibular, concursos com grande número de candidatos para poucas vagas), essa experiência pode atuar como ícone para reforçar a necessidade de investir esforços em planejamento e ações pertinentes, sem se deixar paralisar pela descrença.

E você? Que experiências marcantes já aconteceram em sua vida e que podem ajudar a enfrentar desafios futuros com garra e determinação? Que espaços perdidos para o medo você gostaria de recuperar para viver mais plenamente?

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Maria Tereza Maldonado
Fotógrafo: Edu Lissovsky | Desenvolvedor: forpix internet