Maria Tereza Maldonado
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Chorar ou vender lenços?

Maria Tereza Maldonado


"Em época de crise, uns choram e outros vendem lenços". A origem chinesa da palavra crise significa perigo e oportunidade. Perigo de tornar crônico o desânimo, a desesperança que nos tira as forças e coloca a autoestima no chão. Oportunidade de abrir novas trilhas, procurar portas abertas em vez de esmurrar a porta que se fechou.

A estrada da vida (das pessoas, das famílias, das empresas e das comunidades) tem trechos de pedra e de asfalto: períodos de grandes dificuldades e épocas em que as coisas andam bem. Há as crises inevitáveis, que precisamos enfrentar, procurando as oportunidades nelas embutidas, e usando a criatividade para encontrar saídas; há as crises criadas pela própria pessoa (ou por toda uma equipe de trabalho), com aquela nuvenzinha cinza em cima da cabeça: "Ó dia, ó vida, ó azar!". São as crises nutridas pelo pessimismo, pelas mágoas, pelo mau-humor de quem escolhe a infelicidade como guia e se sabota ao primeiro sinal de progresso ou de realização.

Desenvolver a flexibilidade para olhar os mesmos fatos sob diferentes ângulos aumenta a possibilidade de alterar a qualidade de vida de pessoas, famílias, empresas e comunidades: mudando a maneira de olhar, mudamos a maneira de sentir e, por conseguinte, a maneira de agir. Como no caleidoscópio, podemos criar diversas imagens, fazendo pequenos movimentos com as mesmas peças.

Dar oportunidades a nós mesmos e oferecer oportunidades de desenvolvimento a outros: contribuir para a melhoria da autoestima dos outros ajuda a construir a crença em nossa própria competência.

Para superar as crises pessoais, institucionais e mundiais (como, por exemplo, a crise da água), há uma postura indispensável: parar de reclamar ou de se lamentar e começar a agir, em termos individuais e coletivos. Isto significa participar de uma revolução silenciosa porque ainda não suficientemente divulgada: os projetos sociais bem-sucedidos, que abrem caminhos de esperança e de autodesenvolvimento para milhares de pessoas. Esses projetos precisam se multiplicar com o crescimento da responsabilidade social de pessoas e de empresas em parceria com entidades governamentais e não-governamentais.

Aí está a profunda ligação entre crises, autodesenvolvimento, autoestima e responsabilidade social. Ao contribuir para a melhoria da qualidade de vida de pessoas e comunidades, nos desenvolvemos, aumentamos nossa própria autoestima e criamos novos recursos para atravessar nossas crises particulares. É fascinante acompanhar histórias de pessoas, empresas e comunidades que, demolidas, "dão a volta por cima" e renascem revigoradas, como no mito do fênix que emerge das cinzas. Buscar forças dentro, ao lado e acima de nós, fortalecer nossa resiliência (a capacidade de superar adversidades), tomar a decisão de encarar os obstáculos, descobrir e desenvolver competências individuais e coletivas são as chaves do sucesso para crescer nas crises.

Quais as crises mais importantes que eu atravessei? Quais os recursos que utilizei para superá-las? O quê e quem mais me ajudou nesses momentos? Como posso construir uma "tecelagem de recursos" junto com outras pessoas, para fortalecer a resiliência e a autoestima? Estas serão as perguntas norteadoras que ampliam os recursos de vida.

E então? O que você acha melhor optar por fazer na crise, chorar ou vender lenços?

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Maria Tereza Maldonado
Fotógrafo: Edu Lissovsky | Desenvolvedor: forpix internet