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O olhar de apreciação ajuda a autoestima a florescer (fotografei essa flor em Santa Rita do Jacutinga, MG).

O olhar de apreciação ajuda a autoestima a florescer (fotografei essa flor em Santa Rita do Jacutinga, MG).

Narcisismo, arrogância e vaidade excessiva encobrem uma baixa autoestima. Para se sentir bem, essa pessoa precisa desqualificar outras, como se estivesse brincando de gangorra. Pessoas com boa autoestima sabem que há lugar para muitos se destacarem. Como acontece com as estrelas, para uma brilhar não precisa apagar as demais.

A construção da autoestima começa nos primeiros anos de vida, pela percepção do amor que é dedicado à criança e do olhar de apreciação pelo que ela é e faz. É claro que a criancinha é repreendida quando faz o que não pode, mas há uma grande diferença entre colocar os limites necessários a ações inadequadas e criticar a criança como pessoa. Dizer, por exemplo, “Antes de pegar outro brinquedo, vamos guardar esse” é bem diferente do que dizer “Você é muito bagunceira, deixa tudo espalhado pela sala”! Desqualificar sistematicamente a criança a deixa insegura, com dificuldade de perceber suas competências.

No decorrer da vida, a autoestima passa por oscilações, especialmente quando embarcamos em experiências novas, tais como o ingresso na escola, quando começamos a trabalhar, ou quando nos tornamos pais e mães. “Será que vou me desempenhar bem nessa nova função”? – é a pergunta que surge. Nesses primeiros passos, algumas coisas não acontecem como gostaríamos e sentimos insegurança. Para a autoestima não sofrer baixas significativas, é preciso olhar o erro como parte do caminho da aprendizagem e construir a autoconfiança gradualmente, na medida em que adquirimos experiência nas novas funções.

O modo pelo qual construímos nossas redes de relacionamentos influencia a autoestima, em todas as faixas etárias. Crianças e adolescentes que se sentem excluídos e rejeitados pela maioria dos colegas de escola podem ficar com a autoestima muito abalada. Em equipes de trabalho, gerentes que criticam acidamente os mínimos detalhes do desempenho dos seus colaboradores sem uma única palavra de apreciação pelo que está satisfatório criam tensão e mal-estar na equipe, prejudicando a autoestima dos mais sensíveis. Na relação amorosa, o olhar de apreciação da pessoa amada contribui para consolidar a autoestima e criar um clima de bem-estar no relacionamento; ao contrário, a depreciação constante pode gerar insegurança e baixa autoestima.

Os preconceitos que vigoram na sociedade também podem contribuir para dificultar a formação da boa autoestima ou sua manutenção. Em sociedades em que predominam o culto ao corpo e a valorização da juventude, o envelhecimento pode estimular a baixa autoestima (“Parece que sou invisível, ninguém olha para mim”; “Depois que fiquei velha não sirvo para mais nada”), especialmente nas pessoas que estão mais ligadas na “embalagem” do que no “conteúdo”. Mesmo quando não temos um corpo atraente pelos padrões convencionais, podemos ser pessoas atraentes.